Poesia – Promessas

Nada melhor do que começar um ano com a promessa de ser feliz na vida

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Promessas

Vou quebrar todas

Pular as sete ondas

Sem pedir nada

Para Iemanjá

Ela já me deu

Oportunidades demais

Eu deixei o mar levar

Agora com o pé na areia

Faço meus votos

Com muito respeito

Que vou amar

Sempre que puder

Porque não sou perfeito

Cada um dos meus dias

E quem estiver nele

Mesmo que chova granizo ou canivete

Vou vestir branco em julho

Porque para mim cai bem

E me deixa mais jovem

Mesmo que ninguém concorde

Vou dar de ombros

E seguir meu plano

De parar de fazer planos

Porque tenho um monte deles

Empilhados num canto

Que querem a minha atenção

Já vou avisando

Que estou de olho no presente

Preciso passar a limpo

A minha vida

Que não pega bem

Chegar todo amassado

Com cara de passado

Justamente na chegada

Do convidado tão esperado

Que nunca prometeu mudar meu destino

Sempre foi honesto

Ele me dá um ano inteiro

Para aproveitar e fazer a minha vida

Mas eu sempre desperdiço uma parte

Prometo fazer o possível

E reduzir o desperdício

Do ano em branco

Que estou ganhando

Não há presente melhor

Neste mundo

Do que se orgulhar

Do que tem feito

E do que pode fazer mais

Alecio Neto

Poesia – Maresia

No mar de emoções, o clima de romance toma conta da estação.

Maresia

Mareja o mar

Sempre que cruza com o seu olhar

Esmeralda de marfim

Que encanta a lua e a mim

Mareja o vento

E encrespa a onda

Nos seus cabelos de jasmins

Indicando a rota a seguir

Mareja o clima

Mistura primavera e outono

Nas curvas do seu corpo

Fazendo a alegria dos curumins

Mareja o céu

Faz brilhar as estrelas

Para guiar seu coração

Ao meu que está em desespero

Como farol cego

Mareja a areia

E revira as conchas

Para cantar em coro à Iemanjá

No toque das águas nos seus pés

Pedindo para você ficar em meus braços

Se assim Deus quiser

Alecio Neto

Poesia – Ninguém

Eles conseguem fazer com que a gente volte no tempo.

Supera os sonhos

De uma criança

De mudar o mundo

E fazer que ele

Gire ao contrário

Só para ver os adultos

Voltarem no tempo

Fazendo caretas

Arrancado sorrisos

Transformando-se em bichos

Que deixam olhos inocentes

Cheios de brilho

Isto apenas não basta

Os adultos falam errado

E acham que estão certos

Diminuindo as coisas e o mundo

Que cabe na palma

Delicada de uma mão

Fazendo graça

Sem ficar com um pingo de vergonha

Sendo feliz de verdade

Ao ouvir pela primeira vez

“Papai, mamãe, vovó, vovô, titio”

Acreditando em anjo da guarda

Conversando com amigos imaginários

Vivendo um faz de conta

Do primeiro passo à universidade

Tudo começa de novo

Quando os fios de cabelo nevados

Recebem a notícia

Da chegada dos netos

Alecio Neto

Crônica – Legado

Nenhuma geração merece um futuro vazio.

Em um reino distante, um rei formou grande fortuna e todos no seu reino tinham uma vida próspera.

O seu reinado durou cinquenta anos e ele decidiu construir um baú e colocar os maiores tesouros que conquistou. Ele queria deixar um legado para as futuras gerações.

Antes de deixar o trono, o rei convocou seu único filho e herdeiro para que este tomasse conta do seu legado.

O príncipe herdeiro passou boa parte da sua vida vivendo fora. O rei queria que seu filho tivesse a melhor educação, se preparasse para assumir seu lugar e manter seu reino próspero e feliz.

O rei não sabia que seu filho não aproveitou a oportunidade dada. Ao invés de estudar e se tornar preparado para assumir o reinado, o príncipe preferiu gastar o dinheiro do pai e seu tempo com festas e diversão.

Para sorte do príncipe, ao voltar à sua terra natal, ele encontrou seu pai já muito velho e praticamente cego.

Aos olhos do rei, ele via seu filho como um homem preparado a assumir seu posto e manter o reino unido e próspero.

No seu leito de morte entregou um mapa com a localização do baú com seus maiores tesouros. O rei estava feliz em deixar este mundo porque tinha cumprido com todas as suas obrigações em vida.

O rei trabalhou duro pelo bem-estar do seu povo. Foi justo e bom. Soube ser humilde e corrigir seus erros. Manteve o equilíbrio nos momentos mais difíceis. Sabia ouvir seus súditos e atendia as suas solicitações. O príncipe prometeu seguir os passos do seu pai e manter seu legado.

Quando o rei fechou os olhos, a primeira providência do príncipe foi ordenar o funeral mais pomposo e caro de todos os tempos.

Reis e autoridades foram convidados e ficaram espantados com tanta luxúria. O novo rei fez questão de afirmar que eram novos tempos e que seu reino era o mais próspero de todos.

Alguns reis aproveitaram a oportunidade para pedir empréstimos que nunca foram pagos. O novo rei não deu a mínima importância e deu novos empréstimos a quem pedisse.

Os conselheiros do antigo reinado tentaram alertar o novo rei dos perigos dos gastos sem controle. A primeira providência do novo rei foi substituir todo o conselho. Ele escolheu os que acatavam suas decisões e elogiavam seus feitos.

Em poucos anos, o reino estava quase falido. Os súditos ainda eram fieis ao novo rei, mesmo vivendo em condições precárias.

O novo rei manteve a soberba e não queria enxergar a terrível situação do seu reino. Como seu pai, o novo rei enviou seu filho para estudar fora.

O príncipe, como seu pai, aproveitou seus melhores anos de vida com festas e diversão. Ao voltar para sua terra natal, o príncipe estava inconformado de ter que assumir seu posto em um reino tão pobre.

O novo rei recebeu o seu filho com toda pompa e usou os últimos recursos do reino para fazer uma grande recepção.

Dentro do castelo, o clima era de festa e deslumbramento. Do lado de fora, o clima era de medo e desespero.

Alguns plebeus descontentes estavam sendo perseguidos e mortos pelo reino. A grande maioria da população não se envolvia ora por medo ora por ignorância.

Como de costume, o novo rei entregou o mapa com a localização do tesouro a seu filho. O príncipe herdeiro respirou aliviado e ficou tranquilo em saber que poderia manter suas regalias e caprichos.

Tempos depois, um novo rei assumiu seu trono. Alguns súditos tinham esperanças de que a situação ia mudar, outros não tinham mais esperanças e poucos realmente queriam lutar para sair daquela pobreza.

O novo rei preferiu não gastar o que já não tinha com o funeral do seu pai. Tudo foi feito de forma discreta e ninguém deu atenção ao fato.

Ao saber da situação do seu reino, o rei não se abateu. Pegou o mapa com a localização do tesouro e partiu com seus homens de confiança.

A viagem levou dias. O novo rei enfrentou diversos perigos com coragem e determinação. Até que finalmente encontrou o tão sonhado tesouro. O baú era enorme, do tamanho de um castelo.

O novo rei precisou coçar seus olhos diversas vezes para ver se não estava sonhando. Ele não acreditava que seu pai tinha deixado aquele tesouro só para ele.

Antes de abrir a porta do baú, o novo rei se perguntou por que seu pai não aproveitou a oportunidade de pegar todo aquele tesouro e abandonar o reino?

Ao entrar, o novo rei não conseguiu dar mais um passo. Ele ficou paralisado. Não conseguia se mexer.

Passado o susto, o novo rei deu ordem para que todos ficassem do lado de fora. Ele passou horas dentro do seu baú de tesouros. Saiu de lá de mãos vazias para espanto de todos.

Seus súditos ficaram inconformados e pressionaram o novo rei a revelar o que havia lá dentro. O novo rei impôs a sua autoridade e não quis contar o que viu. Ele foi executado pelos súditos que estavam felizes da vida com o tesouro que estavam prestes a roubar.

Ao entrar, todos tiveram a mesma reação que o falecido novo rei. Ficaram paralisados ao ver a enorme construção praticamente vazia. Nada de ouro, joias ou moedas. Apenas instrumentos de trabalho, cartas e poucos quadros que retratavam a vida simples do rei que trabalhou muito para construir o seu reinado.

Os súditos ficaram revoltados e decidiram manter aquele enorme baú intacto. Eles fizeram um pacto de manter a lenda do tesouro e passar de geração a geração.

Um pacto de vingança a todos que desejaram como eles se apropriar de uma fortuna, na qual não pertencem a eles.

Os súditos voltaram ao reino decididos a assumir o poder com o intuito de roubar o pouco que restava. Aos seus filhos fizeram questão de deixar como herança o mapa com a localização do baú.

Cada geração fez a mesma coisa que a anterior. Continuou explorando o reino, deixando para a próxima geração resolver seus problemas.

Coube a população apenas promessas e a esperança de que um dia alguém resolverá a situação. Enquanto não surge o salvador, todos sofrem com o legado da mentira, dos desmandos e da corrupção.

Um caso muito parecido com um certo país que se denomina a pátria do futuro. Geração após geração deixa um legado de dívidas. Hoje colhe os frutos de um legado político corrupto e que perpetua a impunidade e a falta de ética.

Que país é este? Alguém sabe?

Alecio Neto

Crônica – Bandeira Vermelha

Há muito tempo nós enfrentamos uma verdadeira guerra de nervos.

O mundo inteiro ainda está estarrecido com a notícia de que o Brasil declarou guerra ao Japão. Os especialistas consideram esta declaração como uma distração aos escândalos de corrupção que atingem o Governo.

Outros especialistas levantaram a hipótese de usar o medo e o terror para evitar mais manifestações de apoio ao impeachment e as operações de combate à corrupção. O que se sabe ao certo é a grande confusão causada por esta declaração.

Há mais piadas do que informações concretas sobre os próximos passos do governo brasileiro sobre a ofensiva contra o Japão. Por parte do governo japonês tudo não passa de um engano e não tomará nenhuma medida de segurança.

Pelo corredores da ONU, o que se especula é que o Brasil perdeu o seu rumo. O país está a Deus dará, transformando-se numa terra de faz de conta.

Uma força de coalisão foi formada com a Venezuela e a Colômbia para proteger a soberania nacional. Paraguai e Argentina estão discutindo quem irá ficar com o Rio Grande do Sul caso o Governo perca a guerra.

As únicas informações que se têm são da assessoria de imprensa do Itamaraty, que informou em comunicado oficial que a Agência Nacional de Inteligência descobriu que no último protesto realizados contra o Governo, as centrais sindicais acusam que milhares de manifestantes sumiram.

A Agência Nacional afirmou que um grupo de japoneses foi o responsável por tal ação. Os únicos dispostos a levar esta guerra contra o Japão são os políticos investigados nos esquemas de corrupção.

A população apoia a invasão dos japoneses com a esperança de dar um novo rumo ao país.

A crise no Governo aumentou com o desaparecimento de um correspondente da BBC. O jornalista que fazia a cobertura de uma das manifestações contra o Governo estava bem no meio do “sumiço” das milhares de pessoas.

O grupo de manifestantes, na qual o correspondente fazia parte, estava reunido à espera da ordem para seguir ao local da manifestação. A única instrução que eles tinham era seguir quem estivesse passando com uma bandeira vermelha.

Por uma infeliz coincidência, um grupo de turistas japoneses passou em frente ao grupo de manifestantes. O guia do grupo segurava uma bandeira vermelha para liderar os turistas japoneses.

A massa de manifestantes apenas seguiu o guia turístico que carregava a bandeira vermelha. O correspondente da BBC seu deu conta quando viu todos parando para tirar fotos de um ponto turístico da cidade.

Mais de dois mil manifestantes tiveram a oportunidade de conhecer um pouco mais da cidade. O grupo só dispersou quando todos chegaram numa estação de metrô. O correspondente da BBC aproveitou a oportunidade para entrevistar diversos manifestantes.

A maioria não sabia do que se tratava a manifestação. Eles receberam uma camiseta, boné e a promessa de lanche e uma quantia em dinheiro. Apesar de não receberem o prometido, eles estavam felizes pelo passeio turístico.

As anotações, do correspondente da BBC, com verdade sobre o engano que fez o Governo declarar guerra ao Japão foram encontradas tempos depois junto ao seu corpo. Infelizmente o jornalista foi mais uma vítima da ignorância que assola este país.

A única guerra que os brasileiros enfrentam é a de nervos. Uma batalha incansável contra o nepotismo, o jogo de poder, a vilania e a corrupção que toma conta de diversos setores da sociedade.

A moral da história é que se não aprendermos como conduzir o nosso destino, alguém fará por nós da pior maneira possível.

Poesia – O que são

O que valem teorias sentimentais sem coloca-las em prática?

Dois e dois e continuam

Sendo um apenas

A ainda acreditar

Que tem serventia

Mesmo se não carrega

Mais nos bolsos

Tantos tesouros

O que são

As singularidades da vida

Na complexa lógica irracional

Das teorias primárias

Dos sentimentos vazios

Que permutam trocas

Insanas de um amor

Sem qualquer valor

O que são

Feitos contas de uma novena

Com a promessa de quem

Ainda tem fé de que

Há alguma salvação

Mesmo que aparentemente

O bem dorme

Enquanto o mal perdura

O que são

Dos loucos que utopiam

Com as suas ideias sãs

O mundo dos descrentes

Que ficam de plantão

Nas portas das escolas

Alimentando o quinhão

Da miséria e da discórdia

O que são

As questões relativas

Da vida repleta

De sonhos pesticidas

Que continuam

A contaminar a natureza

Das coisas adoecendo

O caráter humano

O que são

As febres delirantes

Acompanhadas de surtos alucinatórios

Com opiniões discordantes

Sobre os rumos do relacionamento

Entre a ordem econômica

E a razão das emoções

Que não chegam a acordo algum

O que são

Os princípios mais dignos

Postos a leilão

Em bazar de caridade

Porque não sabem

Como calcular o mal

De viver se enganando

Para ter um pouco de atenção

O que são

As palavras sinceras

Em bocas tão incertas

Cheias de intenções

Secretas e duvidosas

Sobre uma conduta moral

Tão cheia de curvas

No deserto das ideias

O que são

Esses pensamentos

Desconexos e distantes

Sem um pingo

De romance e sinceridade

Longe da sua realidade

Fantasiosa, porém, realista

Que não servem aos nossos propósitos

Alecio Neto

Crônica – Trilhos

Não importa o caminho que trilhamos, ele sempre tem algo a ensinar.

Era o primeiro dia de trabalho do garoto. Ele mal tinha completado dez anos de idade e ganhou de presente uma marreta. Seus olhos brilhavam e seus braços tremiam com o peso da ferramenta.

Naquele dia o filho caçula sentia-se um homem e não via a hora de seguir os passos do pai. O Homem da casa dedicou sua vida à Companhia Ferroviária e com o seu trabalho duro mantinha sua família. O salário era baixo e não dava para garantir uma vida tranquila.

A esposa tinha que fazer milagres para manter a casa em ordem, o marido e os filhos alimentados. Chorava pelos cantos escondida. Às vezes de medo de não saber se teriam comida ou teto. Às vezes de fome por trabalhar tanto por seus amados.

O casal que jurou diante do padre cumpria regiamente seu voto de fidelidade “Na saúde e na doença. Na riqueza e na pobreza”. Os dois tinham suas diferenças, mas faziam tudo para que seus filhos tivessem uma vida digna.

Era uma casa formada por dez homens. Os nove filhos, por respeito, ajudavam o pai no seu ofício. Todos conservavam suas marretas como um símbolo por todo sacrifício que fizeram.

O mais velho mandou dar um banho de ouro em sua ferramenta e deixou exposto na sala da sua bela mansão. Ele trabalhou com seu pai por pouco tempo, até encontrar sua verdadeira vocação.

Aos quinze anos de idade já sabia como colocar sua vida nos trilhos. Seu pai ficou orgulhoso do seu filho e o apoiou no seu sonho. Trabalhou muito para que seu filho pudesse estudar e se formar.

Outros filhos foram seguindo o mesmo rumo do mais velho. Aprenderam desde cedo a colocar suas vidas no trilho.

Os pais estavam preocupados com o caçula, que continuava a martelar no mesmo ofício. Eles esperavam que o filho trilhasse seu próprio caminho. O caçula continuava na mesma linha, sem desvios.

Um dia, seu pai não aguentou mais o peso da marreta. Ele sabia que havia chegado a hora de parar. Os filhos fizeram questão de prestar homenagem a quem permitiu que eles seguissem seus próprios destinos.

Cada um entregou sua marreta ao pai como troféu, menos o caçula. Os irmãos não entendiam porque ele ainda não tinha escolhido trilhar outro caminho na vida.

O pai sabia o motivo, mas não queria dizer para magoar seu filho mais novo. Ele ainda precisava aprender, que é possível ficar martelando a vida inteira problemas, mágoas, medos, rancores, frustrações, arrependimentos e derrotas. Como também, é possível martelar fé, amor, empatia, coragem, determinação, amizade, aprendizado, felicidade, conquistas.

Trilhar uma vida de sofrimento ou de alegria é uma escolha que cada um faz. Algumas pessoas nem se dão conta pelo que estão passando porque continuam martelando os mesmos pensamentos, os mesmos sentimentos.

Enquanto outras cansam disso e afastar de suas mentes essas marteladas tão pesadas que ferem à consciência. Quando estão em paz, elas conseguem ver novos horizontes. O verdadeiro destino de suas vidas.

Não existe fim da linha para quem enxerga longe. Os que têm objetivos de longo prazo sabem como é importante colocar um trilho de cada vez. Se um deles não se encaixar, basta colocar outro no lugar.

Não tenha medo se por algum motivo sua vida descarrilhar. Aprenda com as falhas, volte e conserte para seguir em frente com mais segurança. A vida chega ao fim para todos no final, a diferença é quem aproveitou bem a viagem.

Alecio Neto

Poesia – Luz

Uma mente iluminada é capaz de produzir milagres.

Luz

Fina da esperança

Entra pela janela

Dissipa as sombras

Que tomaram posse

Da minha mente

Perdida e solitária

Na imensidão exacerbada

Dos problemas amontoados

Por anos de descaso

Com a dura verdade

Que agora cobra

Sem vergonha e demora

Uma solução para o conflito

Que aflige no íntimo

Por ser conivente

Com a penúria da situação

Pobre em desculpas

Esfarrapada em razões espúrias

Já não consegue disfarçar

O descontentamento e cansaço

Porém a penumbra se desfaz

Com a luz clara e cintilante

Indicando por onde andar

Nos sentimentos vacilantes

Entre a acusação pesada

E o perdão retificante

A limpar todo o ambiente

Para que se possa entrar

A passos largos e certeiros

Os desejos mais prósperos

De uma vida repleta

De laboriosas realizações

Que engrandecem o espírito

Afagam a autoestima

A ponto de não ter mais medo

Para enfrentar qualquer desafio

Com a força necessária

Que mistura resiliência e fé

Alegria e entusiasmo

Até conseguir o que desejo

Alecio Neto

Poesia – Não

Não há como negar o que o amor é capaz de fazer.

Não

Me lembro mais

Do que acontece

Neste mundo tão cinza

Porque só o que me importa

É estar com você

Não

Me lembro mais

De quando me queixei

Dos dias sem sol

E da acidez do tempo

Porque você me trouxe

Mais luz aos meus pensamentos

Não

Me lembro mais

De sentir qualquer

Tipo de dor

Pela falta de amor

Porque você me beijou

Tudo ficou bem

Não

Me lembro mais

De ficar triste

Por tanto tempo

Pelas perdas da vida

Porque você me levantou

Não

Me lembro mais

Das noites em claro

Pensando como seria diferente

Porque agora sonho

Acordado com você ao meu lado

Alecio Neto

Poesia – Quanta Incerteza

Nada pior em qualquer relacionamento do que o silêncio.

Tenho de não saber

Se está magoada comigo

Desde que cortamos

Nossas falas e silenciamos

Nossos pensamentos

No íntimo de cada um

Não sei o que ficou

De concreto

Ou simplesmente foi

Areia que nos restou

Nesse tempo que passou

Deixou o pensamento ferido

Não sabe quem está certo

E quem foi mais prejudicado

Talvez os dois ou ninguém

Nesta terra de desculpas

Talvez tenha sido

Neste doloroso caso

Que terminou sem um desfecho

Deixando pontas soltas no ar

Tomara que um dia

A sombra da incerteza

Se dissipe com o vento

E a verdade apareça

Tomara que não fique

Presente entre a gente

Mágoas e rancores

Em nossas mentes

Mesmo que eu não diga

Com todas as letras

O pensamento voa

E alguém dirá por mim

“Me perdoa”

Alecio Neto